“Um abismo chama outro abismo…”. Uma visão da humanidade baseada em Salmos 42:7 (parte 1, visão da história humana).

A queda do homem, por Jacob Jordaens.

“Um abismo chama outro abismo, ao ruído das tuas catadupas; todas as tuas ondas e as tuas vagas têm passado sobre mim.”    Salmos 42:7

Introdução

Meu objetivo com estas matérias é mostrar de uma maneira inteligente a ligação entre os “abismos” que o homem causa com a história humana, de Adão e Eva até os dias de hoje. Desde que o homem adquiriu pecado, ele construiu a humanidade com erros e acertos. Mas infelizmente, os erros sempre prevaleceram e a humanidade é o que é por causa do pecado.

Dentre os pecados humanos – a cobiça, a avareza, a inveja –  esses estiveram no comando da maior parte dos erros que marcaram a humanidade e a moldaram.

Os abismos criados pelo homem durante a história

A história é marcada de guerras, assassinatos, revoluções e barbáries e justamente os pecados anteriormente citados estão por trás de todos esses fatos lamentáveis. Estudando a história das civilizações, você verá que tudo isso que temos hoje; ou seja, países, cidades, patrimônios históricos (e etc…) muitas das vezes foram construídas com muito sangue, suor e violência. Todas as civilizações, por mais distante que estejam umas das outras, lutaram por uma coisa em comum: Poder e Glória.

Mas o homem, pelas suas limitações (e soberba) não foi capaz de calcular as desastrosas consequências de suas vitórias, e é agora que irei aplicar pela primeira vez nesta análise de como o “abismo” citado em Sl 42;7 se aplica…

1- Os sucessivos impérios, estados e governos:

Os Césares romanos (imperadores).

Desde os tempos mais remotos, povos e civilizações se depararam com a importância de uma liderança forte e sólida, nas tribos haviam os chefes, nos reinos os reis, nos impérios os imperadores e assim suscetivamente. Nos tempos mais remotos, alguns povos viram a necessidade de “evoluir”, e assim, alguns deles construíram grandes impérios, mas com o nascimento da democracia na Grécia e a República em Roma, o mundo repensou a sua forma de fazer política. Se nas épocas anteriores a essas duas filosofias políticas os governadores deste mundo já falavam de melhores condições para os povos, depois com o advento da democracia e da república tais promessas foram ainda mais encorajadas.

A república tem como doutrina base desde a sua criação a eleição de líderes pelo voto popular. O conceito de democracia possui pontos iguais, dentre elas está a garantia de que tal líder será eleito pelo povo (democracia = governo do povo, do grego). Com estas novas visões no mundo ocidental, se esperava que as coisas fossem melhorar, mas não foi isso o que aconteceu…

As manipulações políticas e guerras internas continuaram e cada vez mais que os conceitos democráticos se espalhavam, mais injustiças eram cometidas. O mundo e mais precisamente, a Europa, se via afundada em guerras e conflitos durante muitos séculos. Você talvez se pergunte, “oras, não deveria ser o contrário?”.  É ai que está, jamais será o contrário, pois enquanto for o que ele for e ser o que ele é, essa roda viva jamais irá parar.

Veja que em séculos de guerras e reformas políticas, uma coisa foi gerando a outra. vou citar aqui alguns exemplos:

  • Após a morte de Alexandre, o Grande, seu vasto império fora dividido em quatro partes, sendo que cada parte ficou em poder de cada um de seus quatro maiores generais. A Grécia em si já alimentava uma cultura de conquistas, então seus generais não fizeram mais do que lhes foram ensinados: Ter poder, mesmo que tenha que brigar ou dividir para isso.

  • Portugal e Espanha, nos seus tempos dourados durante o “boom” das descobertas na América, Africa e Ásia, trouxe para a Europa muitos tesouros achados na América e gastou com seus caríssimos jantares, presentes que iam de carruagens até castelos, e diversos outros tipos de gastos com a corte. O resultado foi que, eles não utilizaram toda essa fortuna para investir no futuro de seus próprios países e em suas colônias. Isso também evitou que os países latino-americanos tivesse uma sociedade mais bem estruturada em todos os sentidos. Os colonos europeus também não se preocuparam em tentar desenvolver o progresso conjuntamente com os países africanos, ajudando a tornar a Africa no que ela é hoje.

Um abismo, chama outro abismo…

2- As sociedades, povos e filosofias políticas:

E para entender melhor isso, requer um raciocínio muito simples: Uma sociedade é composta de indivíduos. Se uma sociedade é composta de indivíduos, naturalmente esta irá sentir e operar os sentimentos e ações que seus indivíduos desejam (e nisso se inclui suas lideranças).

Agora, vamos pensar no indivíduo, o ser humano. O homem natural tem um pouco de cada emoção e sentimento bom ou ruim. Ele tem um pouco de amor e um pouco de ódio, um pouco de temperança e um pouco de ira e um pouco de justiça e um pouco de injustiça (nisso implica em fazer sua vontade sem se importar com as consequências, seja com ele mesmo ou com o próximo).

Citei essas emoções para usar como exemplo de pesos e contra pesos do homem. Agora, considerando o fato indiscutível de que o homem (indivíduo) sempre fez mais o mal do que o bem, poderia ser a sociedade ou os sistemas políticos que governam os povos serem diferentes? É óbvio que a resposta é não.

Na verdade, os povos são reflexos daquilo que o ser humano se torna. Uma sociedade não chega a um nível de decadência ou corrupção por acaso, e muito menos por causa de um determinado grupo de indivíduos ou um determinado sistema regente. É ai que o evangelho da de “1 a 0” na sociologia, pois o evangelho mostra como o homem em si é mal e corrupto e sua essência é má e corrupta. O evangelho foca primeiramente na raiz (o homem), e assim, podemos entender melhor do porque o mundo é do jeito que é.

A sociologia é a ciência que estuda o homem no âmbito social. Nessa área, temos grandes nomes como: Émile Durkheim, Augusto Comte, Karl Marx e Max Weber. Eu particularmente gosto bastante de sociologia, de refletir sobre a sociedade e os fatos sociais, mas há algo que eu vejo como falha de percepção nessa ciência, e é esta: Quase sempre, a sociologia limita-se a entender os problemas no mundo como mero fruto de um monte de fatores decorrentes de fatos históricos ou erros filosóficos, quando na verdade a origem do erro está no próprio homem.

Um grande exemplo disso foi o próprio Marx, colocava o capitalismo como o maior culpado das desgraças no mundo contemporâneo, sendo que ele mesmo jamais apontou um possível erro no seu próprio sistema, o comunismo. Mas, porque um homem de tamanha capacidade intelectual iria cometer um erro tão infantil? Simples, e é ai que a sociologia em geral peca.

Para entender a “operação do erro” no mundo com precisão, é necessário primeiramente entender o indivíduo; o homem, pois nele mesmo há a semente de todas as desgraças coletivas no mundo. É nele que começa os males (avareza, corrupção, mentiras, invejas…) e com isso, as culturas, povos e filosofias políticas acabam absorvendo e “ampliando” esses males no mundo. Uma coisa deriva da outra.

Resumindo: sociedades e filosofias políticas são, no geral, amplitudes dos males naturais do homem. Todos eles, em menor ou maior grau, disseminam também seus erros pelo mundo, derivados da própria natureza humana.

O homem moderno: É capaz de detectar falhas alheias, mas incapaz de detectar suas próprias falhas.

No meio de tanta filosofia popular e política, erros foram gerados em cima de erros, alguns exemplos…

  • O socialismo\comunismo tem como meta incorporar uma visão econômica, social e política nas nações. Esse monstro também não surgiu do nada. Mesmo eu sendo cristão conservador, admito que entre a revolução industrial e durante o final do século XIX e início do século XX, injustiças foram cometidas por grandes patrões a seus trabalhadores numa época em épocas das quais não haviam nenhuma proteção ao trabalhador. E nisso, as doutrinas de esquerda se fortaleceram, pois aproveitaram a situação para engradecer a doutrina de Marx e Engels (e se alguém ai por acaso pensou que por isso sou anti-capitalista, estão enganados…).
  • O Nazismo, ao contrário do que muitos acreditam, era SIM uma doutrina de extrema esquerda. Hitler anunciou em 1920 o programa Vinte e Cinco com os intentos do partido. Dentre eles, estavam: Um estado assistencialista, capaz de fornecer tudo o que o cidadão precisa, supressão de rendas oriundas do trabalho direto, proibição dos juros e nacionalização de empresas. O abismo anterior que gerou este abismo chamado nazismo se chama socialismo, até mesmo Hitler admitiu ter bases nele em sua maior obra (Mein Kampf).
  • No Brasil, é comum ouvir pessoas reclamando (e com razão até) do nível de baixaria que nossa musica e nossa cultura chegou. Só que, o que muita gente se esquece é que toda essa promiscuidade teve suas origens nos estilos musicais mais tradicionais do Brasil. Se o funk carioca hoje é o que é, é porque no passado já havia quem falava de vadiagem e lascívia, me refiro aos antigos sambas, como exemplo. Os homens nas musicas já falavam em suas letras com quantas mulheres dormiam e que só queriam “encher a cara” e afins. Em outros estilos musicais como o sertaneja, coisas similares também aconteciam até mesmo entre os próprios músicos (com todo o respeito a eles).

Conclusão

Então, isso foi um pouco do que eu realmente gostaria de mostrar a vocês, de que “não há nada de novo sob o sol” (Eclesiastes 1;9). Cristo nos trouxe um reino novo e diferente justamente para convencer de que sua igreja não deve ficar sendo influenciada pelos erros humanos, sejam políticos ou sociais.

Nada surgiu por acaso e um abismo gerou outro abismo, um monstro gera outro monstro, e um erro gera outro erro e assim se cumpre a Palavra do Senhor.

Até a 2° parte!

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